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Tava
andando
Caminhando
pelo calçadão da estrada de Ponta Negra, sinto como
se ele sempre estivesse ali, mas que agora ganhou forma
e fama estando sempre lotado de pessoas, algumas vestidas
com suas roupas de malhação, caminhando, outras nos
pontos de ônibus indo trabalhar, estudar, indo e indo,
ônibus lotado e calçadão também.
A primeira vez que passei por lá, menino, precisando
voltar da praia, domingo - ônibus SUPERLOTADO! andei
no barro vermelho, ao lado da cerca do exército,
perto dos cajueiros - nesse tempo não passava
muita gente, caju suficiente para os que passavam. Às
vezes o mato me obrigava a descer para o asfalto. O
som da natureza era claro e alto, esquecia que estava
na cidade.
Passou-se
anos, e o barro criou forma, o calçadão
ganhou vida, a cidade cresceu!
Agora
são uma da manhã, estou curtindo o direito
de andar a pé alguns quilômetros apenas
por diversão e em busca dela. Agora o barro deu
lugar a ladrilhos, que me distraem; de vez em quando
ouço uma puta do outro lado da rua, gritando,
tentando chamar minha atenção e ganhar
o dinheiro dela; Dependendo da esquina, as vozes são
mais graves - os travestis também estão
trabalhando! Os carros não param de passar, de
longe vejo as luzes da ROCAM, hora de jogar meu cigarro
fora! O clima de boemia me contagia, passo num bar,
pego uma cerveja, dou uma passeada pelo mundo com os
estrangeiros que se encontram no bar, continuo caminhando.
Lembro dos trabalhadores no sol fervente dessa cidade,
de cócoras, fazendo o calçadão,
produzindo arte, artistas anônimos. Acendo outro
cigarro, desço na praia...
Tchuêi.
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